(…) eu sei. há anos que descobri que viver o presente e só ele é um dos fundamentos da vida. Budismo. concentrar no que te dedica, focar no momento, sem devaneios, respirar, e ponto. eu ando meio esquecida deste ensinamento. Nem sempre considero. considerá-lo é esbarrar no meu âmago. Meu tempo ocidental…os eus que me povoam! não sou una como pede a filosofia. entrego a cada mundo a faceta que me convéem.
- O sexo, quero entregar-me inteira. aprender o teu tempo e não deixar o meu fluir. esquecer que sou tantas e você é outro e a filha que pode ser nossa respira em algum lugar. Lembrar que somos dois corpos vivos e o mundo respira por nós.
Junho 9, 2009
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Os solitários atraem. Ou, os que gostam de estar sozinhos attraem os que gostam de companhia permanente. E os que gostam de companhia permanente não são boas companhias. Boas companhias sabem acompanhar bem a si. E quase sempre aos outros. Porque podem estar consigo quando é ruim a companhia e assim já estão bem acompanhados. Porque podem acompanhar aos outros com suas solitudes de forma viva. Os que gostam de estar sozinhos são vivos. E os que gostam de estar sozinhos não vivem sozinhos sem companhia.
Junho 9, 2009
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Nada de sentimentos fáceis, rasos. O que passa meu corpo mexe e extravasa. Ideal de liberdade quase não consegue se entender. Afinal, livre de que? De quem? Luta cansada por objetivo incerto…
Desejo forte de Outro, mas é de mim que preciso. Em tempo: quero voce, todos, a sociedade humana, minha filha, os gatos, e eu. De mim, só a poesia. Do outro, só parceria, agenciamentos.
Só? Não quero a solidão, nem tranquilidade. Busco a adrenalina da descoberta. Minha certeza revista, aprimorada, as mãos trêmulas e o perder as palavras. Que dure até o primeiro mau-humor do outro, primeiro grito meu de liberdade.
O corpo vem pedindo mistura, e se doará às aventuras do prazer.
Nada de confusão, fusão caótica de desejos desencontrados. Quero me trocar…
Não sei se é com voce, sei que os olhos andam quentes e os nervos à flor da pele. Bobagem? O que é importante?
Junho 9, 2009
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Sonhei:
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Um quadro preso numa parede de museu que sente a angústia de sua pequenez e imobilidade naquele espaço. O museu é antigo, pé-direito alto, pouca iluminação. O quadro paira numa de suas enormes paredes. Paira y mira hacía la amplitud. Cansado daquela sala… A janela que tem á frente é dez vezes sua pequenez e mantêm-se fechada. Entra sim, um feixe de sol através dos vitrais, e é esse o ângulo que mais interessa ao quadro. As poeirinhas que dançam na luz.; as estrelas que por vezes se vê.
O quadro quer sair do museu.
Ele não tem imagem. Tem percepções. E o desejo de libertar-se. O desejo de olhar.
FINAL: A janela grande que tem a sua frente abre-se. Entra, a vista do quadro, o horizonte – e com ele a brisa. O quadro venta. Venta-se. Inventa-se. A sala do museu aparece luminosa, ganha movimento, o quadro alivia-se e volta a respirar. Existe vida fora do museu. Estou preso á essa parede e é este meu lugar, mas a vida tem mais horizontes que esse espaço faz crer. O mundo venta…
Talvez trate-se de uma história sobre o amadurecimento.
Talvez trate-se de uma história sobre solidão e liberdade.
O conflito (e o desejo): Sair do museu
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Sonho-roteiro incompleto e aguardando contribuições pra nascer…
Junho 9, 2009
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- Não considerar o desejo uma superestrutura subjetiva que fica pisca-piscando.
- Fazer o desejo passar para o lado da infra-estrutura, da família, do ego e a pessoa para o lado da antiprodução.
- Abandonar uma abordagem do inconsciente pela neurose e a família, para adotar aquela, mais especifica, dos processos esquizofrênicos, das maquinas desejantes.
- Renunciar à captura compulsiva de um objeto completo simbólico de todos os despotismos.
- Desfazer-se do significante.
- Deixar-se deslizar pelos caminhos das multiplicidades reais.
- Parar de ficar reconciliando o homem e a maquina: sua relação é constitutiva do próprio desejo.
- Promover uma outra lógica, uma lógica do desejo real, estabelecendo o primado da historia relativamente à estrutura. Promover uma outra análise, isenta do simbolismo e da interpretação, e um outro militantismo, arranjando meios para libertar-se por si mesmo das significações da ordem dominante.
- Conceber agenciamentos coletivos de enunciação que superem o corte entre o sujeito da enunciação e o sujeito do enunciado.
- Ao fascismo do poder opor as linhas de fuga ativas e positivas que conduzem ao desejo, às maquinas de desejo e à organização do campo social inconsciente.
- Não é fugir, você próprio, “pessoalmente”, dar o fora, se mandar, mas afugentar, fazer fugir, fazer vazar, como se fura um cano ou um abscesso.
- Fazer os fluxos passarem sob os códigos sociais que querem canaliza-los, barra-los.
- A partir das posições de desejos locais e minúsculos, por em xeque, passo a passo, o conjunto do sistema capitalista.
- Liberar os fluxos, ir longe no artifício, cada vez mais.
Junho 9, 2009
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